Diferencia entre revisiones de «BETTENDORFF; Início da Missão no Maranhão»

De Dicionário de História Cultural de la Iglesía en América Latina
Ir a la navegaciónIr a la búsqueda
Línea 111: Línea 111:
  
 
   
 
   
== O Governo de Antônio de Albuquerque (1667-1671) e os acontecimentos na Missão
+
 
==
+
== == O Governo de Antônio de Albuquerque (1667-1671) e os acontecimentos na Missão
 +
== ==
 +
 
  
  

Revisión del 13:20 7 nov 2017

==

Joâo Felipe Bettendorff (1625-1695) e primeira experiência missionária

==

A chegada do Padre Bettendorff ao Maranhão em 1661 é fruto dos insistentes pedidos que fez o superior da missão Padre Antonio Vieira,[1]ao Padre Geral da Companhia de Jesus João Paulo Oliva, solicitando missionários para a missão do Maranhão. O Geral por sua vez escreveu ao provincial Galo-Belga Padre Humberto, que tratou de encontrar alguns missionários para socorrer a missão do Maranhão.

Na época, isto é, em 1659, Bettendorff era estudante do quarto ano de Teologia no colégio da Universidade de Douai, com esperanças de ir para a missão do Japão ou China, pois tinha feito o seu pedido desde 1654,[2]e novamente solicitado em 1659.[3]O superior ofereceu, porém, a missão do Maranhão, escolhendo o irmão teólogo Jacob Coelho como seu companheiro.

Era conhecedor de varias línguas entre elas o latino, francês, alemão, flamengo, italiano, espanhol. Tinha também estudado filosofia e direito, era alto e forte, muito capaz de suportar as dificuldades, e lhe movia o desejo de entregar a vida a Cristo se possível através do martírio, enfim estava preparado para qualquer missão. Era nativo de uma pequena cidade, a uns 20 quilômetros ao norte da cidade de Luxemburgo, chamada Lintgen.[4]

Bettendorff foi, então, ordenado sacerdote pelo Geral Arcebispo e Príncipe de Cambrai Gaspard Nemius (1649-1667), no ano de 1659,[5]e partiu para a missão. É impressionante o relato que Bettendorff faz dessa viagem para chegar a Portugal e os diversos fatos acontecidos que caracterizam, de certa forma, aquele período histórico. Entre os eventos impressionantes estão os assaltos a que estavam sujeitos os viajantes naquela época.

Chegaram à cidade de Lille e daí para a cidade de Gand. Em Gand Bettendorff encontrou o padre Provincial de Flandres, que disse: “A Padres Flamengos bastava a sua missão de Hollanda e outras de sua província, sem ser necessário mandar sujeitos para Portugal, onde os detinham sem os deixar ir para as suas missões.”[6]E dai partiram para a cidade de Breda, passando por algumas cidades da Holanda até a cidade de Amsterdam e pegando um barco para a ilha de Texel,[7]indo, depois, de navio a Portugal, chegando em Lisboa no dia de Natal de 1659.

Depois de quase um ano de espera, partindo de Portugal em 24 de novembro de 1660,[8]chegaram ao porto do Maranhão, aos vinte de janeiro de 1661. E daí foram logo para o Pará, como tinha ordenado o superior da missão padre Antonio Vieira.

O padre Antonio Vieira, com a chegada desses novos missionários, entre os anos de 1659 e 1661, fez uma nova divisão nas missões.[9]Mandou, num primeiro momento, Bettendorff aprender a língua indígena na aldeia de São João em Mortigura, com o Padre Francisco da Veiga e, logo depois, o encarregou de ser o primeiro missionário das aldeias do Rio Amazonas. Bettendorff conta que Padre Antonio Vieira mostrou o mapa do Rio Amazonas e disse:

“Eis aqui, meu padre João Felippe, a diligencia do famoso rio das Amazonas, pois a Vossa Reverencia elegeo Deus por primeiro missionário do assento dele, tome animo e aparelhe-se que em tal dia partirá, e levará por companheiro um irmão conhecedor da língua, Sebastião Teixeira, para ajudar em as ocasiões em que for necessária.”[10]

Assim que chegou ao Tapajós, mandou fazer alguns catecismos em várias línguas principais, todos eles pela língua geral,[11]um deles em língua Tapajós e outro dos Urucuçus.[12]E, assim, foi logo ensinando e batizando, também costumava visitar as casas dos índios todas as semanas, conforme estabelecia a regra da Visita.[13]

Nessa 1ª missão de Padre Bettendorff no Tapajós,[14]haviam dois terreiros na aldeia, aos quais os índios e índias iam para beber e “falar com o diabo”,[15]com o tempo conseguiu fazer com que esses terreiros se tornassem menos freqüentados e proibiu de se reunirem para aí beberem.[16]Era sua intenção destruir esses terreiros, mas a preocupação era que isto poderia significar o fim daquela missão do Tapajós. Então preferiu conviver com esta situação demonstrando a grande sensibilidade como missionário.

Na mesma aldeia se enfrentou um outro problema, que era a poligamia,[17]pois em uma das resoluções que os padres missionários tinham chegados na reunião que tiveram com padre Antonio Vieira antes da divisão dos trabalhos pastorais em 1661, era de se acabar com os costumes dos índios de ter varias mulheres, por isto se deveria unir o índio a sua verdadeira mulher. O missionário foi logo tratando de tirar as mancebas e de casar os índios com uma única mulher, reuniu toda a tribo num dia de festa e apresentou as razões para unir um índio a uma única mulher, dizendo:

“Filhos, como eu sou ainda pouco pratico em os estilos desta terra, pela pouca assistência que em ellas tenho feito até agora, por haver pouco que sou vindo do Reino, desejando eu de saber o verdadeiro modo de as governar, ouvi dizer que haveis de ser governados com pancadas como se governam os brutos, por não seguirdes a razão que Deus deu aos homens para se dirigirem por ela; não me posso persuadir que isto seja assim e portanto quero fazer experiência antes de crê-lo. Olhae os mandamentos da Lei de Deus, todos se fundam em a razão, e quem os seguir deve-se chamar homem racional, e pelo contrario quem os não quer seguir este se póde chamar bruto, e se deve governar com pancadas como se governam os animais irracionais... lhes fui propondo os Mandamentos da lei de Deus um por um ... e chegado que fui ao sexto e nono, perguntando se lhes se parecia bem andar algum com mulher não sua, respondeu-me logo um que se sua mulher lhe fizesse adultério a botaria ao rio. Disse-lhes eu então: - Ora, basta-me isso, filhos, para conhecer que não haveis de ser governados com pancadas á maneira de animais brutos, mas como homens de razão; o que suposto, como quer Deus e manda que ninguém tenha mais de uma mulher, peço-vos me entregueis todas as vossas mancebas, e vos caseis com aquela que tendes por vossas mulher verdadeira, com a que mais for a vosso contendo, salvo se houver algum impedimento.”[18]

Outro fato interessante no pensamento e ação de Bettendorff, é que já em 1661, apesar de ter passado apenas alguns meses na missão diante da proposta de padre Vieira,[19]de tornar independente as residências do Ingaíbas, Gurupá e Rio Amazonas da residência do Pará,[20]e só depender do superior das missões, se mostrou contrário pois, para ele, o apoio da residência do Pará era fundamental para o desenvolvimento da missão.

Depois de escutar o parecer dos padres da Companhia de Jesus, Vieira deixou as coisas como estavam, isto é, a residência do Colégio Santo Alexandre continuou sendo o apoio para todos os missionários destas residências.


O Motim de 1661 e a Expulsão dos Jesuítas e do Padre Vieira do Maranhão

A Companhia de Jesus no Estado do Maranhão, tendo como superior o padre Antônio Vieira (1653-1661) , tinha conseguido grandes feitos como realizar com sucesso a primeira missão aos Tupinambás ás margens do Tocantins, descendo mais de mil índio em 1655; realizar a missão ao Rio Negro em 1657; nova entrada pelo rio Tocantins em 1659 e no mesmo ano a paz com as tribos da Ilha do Marajó, garantindo à colônia a conquista definitiva da Amazônia, evitando assim o perigo do domino holandês desta terras pois estes eram antigos aliados destes índios.

Esta grande expansão da missão neste período é certamente em parte por mérito das Leis de Abril de 1655, que concentrava todo o poder temporal e espiritual das Aldeias nas mãos dos Jesuítas, fazendo com que nomeassem os principais das aldeias e controlassem as entradas para o sertão, além de garantir aos padres da Companhia o poder de negociar a paz com as Nações indígenas tornando-os vassalos do rei de Portugal, e livres da escravidão que geralmente estavam sujeitas quase todas as nações que encontravam os portugueses.

Mas por outra parte a situação era precária com a falta de mão de obra e assim o apelo dos moradores de Belém do Pará se fez sentir através de uma carta da Câmara, destinada ao padre Antônio Vieira no dia 15 de janeiro de 1661. Nessa carta, relataram as suas dificuldades, principalmente com relação à falta de mão-de-obra indígena para os trabalhos, sendo que as leis de 9 de abril de 1655 permitiam o resgate de mão-de-obra necessária aos moradores.

O Padre Antonio Vieira recebeu esta Carta da Câmara da Cidade de Belém do Pará, mas respondeu só depois de um mês. Segundo ele a situação estava ruim por vários fatores e não simplesmente por falta de escravos, pois desde 1655, tinha feito entradas ao sertão todos os anos, e em alguns mais do que uma vez, descendo para cima de três mil índios forros e mil e oitocentos cativos. A questão era que a mortalidade dos índios era enorme e a questão continuaria precária enquanto não se introduzissem os escravos de Angola, como se fazia no Brasil, mas que ele no tempo oportuno prepararia as expedições que os moradores desejavam.

A Carta de resposta de Vieira não convenceu a Câmara do Pará, que a considerou como uma dilação pouco eficaz:

“Vimos a resposta de Vossa Paternidade dada ao nosso papel, e não esperamos dela mais que o remédio, que está pedindo tão urgente necessidade a qual não pede dilação tão pouco effectiva, como a que Vossa Paternidade nos oferece, que vem a ser mais arriscado a mayores perdas, e trabalhos, que a aliviar a este povo as miserias, que padece.”

Desta forma a Câmara refez uma proposta na tentativa de acabar com a falta de mão de obra, e que consistia praticamente em multiplicar os resgates pelos sertões garantindo a todos a mão-de-obra necessária para desenvolver este Estado, e todos os escravos seriam feitos seguindo sempre as leis de Sua Majestade. Para tanto era necessário a colaboração do superior da missão pois o que queriam “era uma entrada de resgate pelo rio Amazonas a dentro no rio Madeira e cabeceira do rio Negro, cambebas e outras mais paragens”.

Estando as coisas neste estado de tensão no Pará, em São Luís foram publicadas duas cartas de Vieira feitas para o rei D. João IV, que exaltavam a atuação da Companhia de Jesus no Estado do Maranhão e denunciava a violação das leis de 1655 que garantiam as liberdades dos índios, apontava os remédios para solucionar este problema, alem de delatar os nomes dos transgressores.

Esta publicação das «Cartas» que denunciavam os moradores, feita em uma situação de calamidade por falta de mão de obra, levou à fúria os moradores de São Luís, que incentivados por religiosos contrários a Companhia de Jesus, tomaram estas cartas como motivo para abrir um processo contra os padres.

Elegeram um liderança que em nome do povo fez queixa na Câmara acerca do governo temporal dos índios pelos padres da Companhia de Jesus, e depois de aceita estas denuncias, a Câmara convocou o superior da casa de São Luís o Padre Ricardo Careu para assinar um termo no qual desistia do poder temporal dos índios, mas segundo Bettendorff, este recusou-se a assinar, pois só o superior Padre Antonio Vieira poderia abrir mão deste direito.

Diante da recusa dos jesuítas de deixar o poder temporal, no dia 15 de Maio de 1661, dia do Espírito Santo, o povo de São Luís levantou-se contra os padres da Companhia de Jesus, obrigando-os a abandonar a colégio de Nossa Senhora da Luz. Vieira, que do Pará ia a caminho do Maranhão, foi surpreendido pela novidade da revolta e já próximo de São Luís, nas praias de Cumã recebeu uma carta do Governador D. Pedro de Melo comunicando-lhe a revolta e as suas causas, escreveu então a D. Afonso no dia 22 de maio de 1661, dizendo segundo ele a única verdadeira causa da revolta era:

“O motivo, interior, único e total desta resolução, que há muito se medita, é a cobiça, principalmente dos mais poderosos; e porque esta se não contenta com o que lhe permitem as leis de Vossa Majestade, e não há outros que defendam as ditas leis e a liberdade e justiça dos índios senão os Religiosos da Companhia, resolveram finalmente de tirar este impedimento por tão indignos caminhos. Eu lhes disse sempre que, sempre que, se não estavam satisfeitos, recorressem a Vossa Majestade, como o autor e senhor das leis, e que Vossa Majestade, ouvidas as partes, revogaria ou confirmaria o que fosse justo; mas eles, como desconfiados da sua justiça, nunca quiseram aceitar esta razão.” E, logo depois, este motim chegou a Belém do Pará, no dia do Anjo Custodio, isto é, aos vinte de julho de 1661, tendo o apoio do Governador Pedro de Mello. Prenderam Vieira e os padres da Companhia da Jesus no colégio Santo Alexandre e, logo depois, os mandaram para São Luís e daí para Portugal.

Quando aconteceu o motim em Belém do Pará, o padre Francisco Velloso, superior da casa de Belém, escreveu ao padre Gaspar Misch e ao padre Bettendorff, mandando que se retirassem do Gurupá e fugissem na floresta onde ninguém pudessem encontra-los, até que chegassem resoluções e remédio do Reino. Os padres obedeceram prontamente ao superior ficando alguns meses até a festa do Natal de 1661.

Voltando para o Gurupá, ficou Bettendorff na aldeia de São Pedro, e o padre Gaspar Misch no Tapará. Até que, em nome do povo do Pará, veio Antônio Barradas e José de Souza com uma tropa de dois homens brancos e uns dez para quinze índios armados para prende-los, sendo impedidos pelo ouvidor geral Diogo de Souza de Menezes. A tropa do povo do Pará fugiu mas logo foram feitos prisioneiros.

Bettendorff conta que da fortaleza assistia quando prenderam Antônio Barradas, comparando a uma tourada. Ao se encontrarem, Bettendorff abraçou-o, dizendo: “Guarde Deus a Vossa mercê, Senhor Antonio Barradas” , e ele respondeu “que este abraço seria bom, se não fosse o abraço de Judas, ao qual replicou Bettendorff que não era de Judas, mas de um ânimo cristão” .

O Ouvidor Geral fez logo um auto contra Antônio Barradas e seus companheiros, acusando-os de terem levantado armas contra o governo e condenando-os à forca, conforme às leis. Diante desta situação, sabendo o padre Bettendorff que se a pena fosse executada, a situação da Companhia de Jesus ficaria insustentável no Estado, pediu insistentemente ao Ouvidor Geral que suspendesse a pena; sendo este pedido reforçado pelos capitães-mores Paulo Martins Garro e Manoel David Souto Maior.

Diante disto, o ouvidor perdoou-lhes a morte na forca, mas exigiu que fossem publicamente açoitados na praça de Gurupá. Novamente Bettendorff pediu que se evitasse a medida punitiva do açoite e se contentasse com a prisão. Diante da recusa e após muita insistência, Bettendorff conseguiu que Antônio Barradas ficasse fora dos açoites públicos.

Tendo chegado ao Pará notícias de que Antônio Barradas e seu companheiros tinham sido presos no Gurupá, mandou o povo do Pará uma grande tropa de brancos e de índios para levarem presos os padres.

Depois de presos, Bettendorff conta que foram levados para o pequeno convento de Nossa Senhora do Carmo, fato que fez Bettendorff protestar por terem feito do Convento uma prisão, sendo escandaloso pois os amotinados comiam e bebiam com os religiosos do Convento, e ainda estes lhes celebravam missa sem qualquer escrúpulo, pois uns como os outros eram do mesmo parecer com relação aos padres da Companhia de Jesus. Segundo Bettendorff se evidenciou a diferente posição da Companhia de Jesus e dos Frades de Nossa Senhora do Carmo em relação com a questão da liberdade dos índios.

Nestas mesmas circunstâncias, apareceu a questão do poder temporal e espiritual da missão, pois a Bettendorff foi levado um termo em que lhe pediam que, como superior do Gurupá, deixasse toda a jurisdição espiritual e temporal sobre os índios; respondeu que não cabia a ele assinar tal termo, pois as Câmaras de São Luís e de Belém lhes tinham tirado o poder temporal, mas quanto ao espiritual de nenhuma forma a Companhia de Jesus iria renunciar.

De Gurupá foram para Belém e aí permaneceram na prisão o resto da quaresma, não sendo permitido aos padres da Companhia celebrar a Semana Santa. Os amotinados expulsaram os padres da Companhia de Jesus para Lisboa em dois navios, um dos quais teve que retornar por problema de entrada de água.


A Restituição da Missão à Companhia de Jesus e a discórdia com o Governador Rui Vaz de Sequeira

Aos vinte e cinco de março de 1662, chegou o novo Governador do Estado do Maranhão, Rui Vaz de Sequeira, com ordens secretas da Rainha Dona Luiza de Gusmão, de restituir aos Jesuítas as suas missões.

Segundo Bettendorff só depois que Governador Rui Vaz de Siqueira recebeu carta da capitania do Pará comunicando que todos os padres já tinham sido expulsos para o reino, foi que enviou o Sargento Mor Antonio Pacheco, para restituir o colégio e as missões caso encontrasse algum padre da Companhia. Mas logo que chegou no Pará, encontrou os padres da Companhia de Jesus ainda em Belém, sendo restituídos a estes o colégio Santo Alexandre bem como as missões. No Pará Bettendorff absolveu a todos da excomunhão a que estavam todos sujeitos pela expulsão e o mesmo também aconteceu em São Luís.

No dia 8 de setembro de 1662, dia da festa de Nossa Senhora da Luz, retornaram ao Maranhão os primeiros padres expulsos para o reino e eram Salvador do Valle e João Maria Gorzoni. Assim Bettendorff faz notar a coincidência, pois um ano antes no mesmo dia em que tinha sido mandados para o Reino padre Vieira e outros jesuítas.

Estes foram recebidos na praia com grandes festas, muitas lágrimas, levados em procissão solene até a igreja matriz acompanhados de toda a comunidade e do pedido de perdão feito pelos moradores. Traziam cartas do rei na qual mandava restituir a missão aos padres da Companhia de Jesus, com o mesmo direito que tinham antes de expulsão.

No Governo de Rui Vaz de Siqueira, a Companhia de Jesus enfrentou vários problemas, um dos quais foi a guerra justa que o governador queria fazer contra os Aruaquis. O motivo desta guerra era o fato de o governador ter enviado o sargento-mor Antonio Arnau, para um tropa de resgate pelo Rio Amazonas acima até o Rio Madeira, mas este desobedecendo as ordens entrou pelo rio dos Aruaquis, onde viviam índios de pazes, estes num primeiro momento o acolheram, mas percebendo a sua má intenção fizeram uma emboscada levando à sua morte e de quase toda a sua tropa.

Para a realização desta guerra, se apresentou um impedimento: a lei de 1655 de Dom João IV, que mandava que nenhum Governador fizesse guerra ofensiva sem o voto do padre Superior da missão e mais prelados das religiões.

Os padres da Companhia diziam ao governador que a guerra não era correta, pelas mortes, degolações e cativeiros injustos que se tinham feito àquelas nações em tempo de seu governo. Apontaram ao Governador os «meios racionais», por onde, segundo as leis da consciência, se podia trabalhar seguramente. Os meios apontados eram que os padres da Companhia iriam àquelas missões dos Aruaquis para a propagação de nossa Santa Fé, e castigariam os delinqüentes, e os inocentes ficariam sem castigo ou pena. Este «meio tão justo» não quis o Governador, pois “o que movia o governador era a cobiça” e queria fazer escravos todos os índios.

Vendo o governador que o padre Superior Manoel Nunes (1661-1667) não mudava seu parecer, pediu a Bettendorff, que desse o sua sentença como padre alemão e superior da Casa de Santo Alexandre (1661-1663). Bettendorff que tinha estudado direito na Itália, quando ainda secular, fez um escrito, mostrando as razões, todas fundadas em direito, pela quais a guerra contra os Aruaquis era injusta e por nenhum modo se podia dar.

E, na verdade, era matéria de muito peso, onde haveria tantas mortes, tanto de adultos como de meninos e ainda inocentes. Com estas razões e com a falta de mantimentos que havia na Capitania do Pará e Gurupá, adiou se a guerra por aquele ano.

Mas, no ano seguinte, o governador mandou uma valente tropa contra os Aruaquis, indo como cabo Francisco da Costa Favella, mas teve muito pouco proveito, pois a guerra além de durar quase um ano, só conseguiu matar alguns índios e grande parte do índios escravizados morreram de diarréia. Mandou também o capitão do Gurupá, Paulo Martins Garro, uma pequena tropa com João Palheta, que, pelo bom sucesso, foi promovido ao cargo de Capitão da Infantaria. Em 1663 chegou um novo navio do Reino com os padres que tinham sido expulsos. Vinham com novas Leis, de dezoito de outubro de 1663, que devolvia o poder espiritual das aldeias à Companhia de Jesus, além de reconhecer outras congregações religiosas no trabalho espiritual dos índios. Segundo Bettendorff esta lei era contrária aos estatutos da Companhia pois previa que os párocos dos índios fossem removíveis segundo o parecer do senado da câmara, sendo rejeitada pelo povo, que vivia sem lei em tudo aquilo que se dizia em relação aos índios.

O que se observou neste tempo, escreve Bettendorff, foi o fato dos religiosos da Companhia não se intrometerem no governo temporal dos índios, e mesmo assim continuaram a ser perseguidos, pois eram acusados de defender os índios e de afastar-los dos portugueses e em suas visitas as aldeias para a cura espiritual dos índios viam e sabiam do trafico que estes faziam com os índios.

O governador Rui Vaz de Siqueira tinha uma interpretação pessoal da lei e que não correspondia às intenções desta, levando-o a mudar as leis e isto fez a câmara do Pará requerer e conseguir a devassa do governador, terminando assim o seu governo.

Para Bettendorff, vários motivos levaram o governador Rui Vaz de Siqueira a fazer oposição à Companhia de Jesus: o primeiro era o fato do Superior Padre Manuel Nunes não querer retornar ao trabalho missionário na Serra de Ibiapaba, pois qualquer tentativa de reassumir aquela missão seria interpretada pelos índios como tentativo de capturar-los e não de fazer a paz; o segundo era o parecer contrário à guerra justa aos Aruaquis, além do fato de acreditar que os padres tinham escrito ao reino contra ele.



== == O Governo de Antônio de Albuquerque (1667-1671) e os acontecimentos na Missão

Em 22 de junho de 1667, tomou posse o novo governador Antonio de Albuquerque Coelho de Carvalho, em São Luís do Maranhão. Se notou logo a diferença entre o velho e o novo governador, pois quando veio conhecer o colégio e ver os padres, deixou uma ajuda de trinta mil réis para colaborar com as obras do colégio, tornando-se logo depois Bettendorff o seu confessor.

Ainda neste ano de 1667 chegaram cartas do Provincial do Brasil, nomeando o padre Salvador do Vale superior da missão e este, por sua vez, nomeou o padre Pier Luigi Consalvi como visitador do Maranhão e Superior da Casa de Nossa Senhora da Luz, cargo que era de Bettendorff. Depois de Bettendorff escrever uma carta ao antigo Superior Manoel Nunes comunicando-lhe o fato, mas como este não respondeu, entregou o cargo de superior da Casa de Nossa Senhora da Luz ao padre Pier Luigi Consalvi .

Entretanto sabendo Bettendorff que esta nomeação não era valida, conta que o padre Francisco Veloso, superior da Casa de Santo Alexandre do Pará (1663-1668), não queria reconhecer o padre Salvador do Vale como superior enquanto não viessem cartas do Reverendo Padre Geral.

Estas cartas vieram, mas reconhecendo e nomeando ainda o padre Manoel Nunes (1666-1668) como Superior e Visitador. Este, por sua vez, insistia para que Bettendorff tomasse novamente posse como Superior da Casa de Nossa Senhora da Luz. Bettendorff porém convenceu o Padre Superior que deixasse o padre Pier Luigi Consalvi (1667-1668) como superior e ele faria o papel de pregador e confessor.

No final do ano de 1667, vindo do Brasil chegou ao Maranhão o padre Manuel Zuzarte com o cargo de visitador da missão, trazendo em sua companhia o padre Pedro Francisco e os irmãos Simão Luiz e Manuel Lopes. Tinha no caminho visitado a missão do Ceará, deixando nesta o padre Pedro Monteiro e de lá trazendo o padre Pedro Francisco Cassali, pensando que pertencesse a missão do Maranhão.

Em São Luís escreveu novos capítulos à visita de padre Antonio Vieira e procurou se informar quem tinha se envolvido na disputa sobre o superior da missão. A 3 de junho partiu para o Pará visitando a residência do Gurupí e chegando em Belém concluiu visitando as casas mais próximas, mandando Bettendorff visitar as aldeias mais distantes em seu lugar.

Depois da visita declarou o padre Bettendorff como superior da missão no lugar do padre Manoel Nunes. E partiu para o reino aos 17 de Setembro de 1668. O padre Francisco Veloso foi muito critico desta visita especialmente pelos grandes gastos e curto tempo de duração, além do fato de declarar superior da missão um padre que não possuía qualidades para exercer tal cargo, além de não saber bem o português.

Neste ano de 1668 os padres da Companhia de Jesus haviam feito duas entradas, sendo a primeira a pedido do governador Antonio Coelho de Carvalho e da Câmara do Pará, tendo como missionários o padre Gaspar Misch e o irmão João de Almeida, que tinha como finalidade libertar algumas mulheres casadas do índios Tupinambás, tidas como prisioneiras dos índios Poquis, que embora desejassem descer para junto dos portugueses não o podiam por causa deste impedimento.

Depois de navegar quase seis semanas pelo Rio Tocantins e de entrar pela mata por mais de vinte dias chegaram as terras dos Poquis onde foram abordados por exploradores que garantiram que os tupinambás seriam libertados e que os receberiam nas suas aldeias, mas de fato preparam um emboscada dando origem a uma guerra no qual os portugueses saíram vencedores conseguindo fazer alguns prisioneiros e colocar fogo numa aldeia que acharam abandonada, mas por falta de munição foram obrigados a retornar ao Rio Tocantins onde tinham uma pequena fortaleza, afim de buscar reforço militar em Belém do Pará.

Com a chegada de reforço militar se dirigiram novamente as terras dos Poquis sem a presença do missionário que permaneceu doente no forte, e desta vez os índios se apresentaram livremente diante da tropas com os seus principais, filhos e súditos dispostos a aceitar a paz e juntos descerem para habitarem com os brancos e se “tornassem filhos de Deus”.

Mas alguns soldados segundo Bettendorff, espalharam a voz que ouviram de uma menina Poquis, que este era um modo de enganar a tropa e levar a derrota. Instaurou-se um processo que usando violência e levando a morte os que julgaram responsáveis com flechas, além de transformar toda a aldeia em prisioneiros fazendo mais de 200 escravos, além dos índios tupinambás presentes nesta aldeia.

Fato interessante que chegado a tropa em Belém, o governador como era de costume, fez um conselho convocando todos os prelados eclesiásticos das ordens presentes na cidades, para avaliar se aqueles índios eram escravos. Estavam presente por parte dos jesuítas os padres Felipe Bettendorff então superior da missão e Francisco Veloso, e logo que o comandante da tropa apresentou dois índios acorrentados dizendo a todos que podiam confiar nas suas palavras, os padres da Companhia começaram a interrogar-los e livres do medo começaram a negar o que lhe acusavam e afirmar que contra eles se tinham comportado de modo injusto aquela tropa.

Diante disso os jesuítas pediram que logo fossem liberados os índios, mas o Comissário de Santo Antonio e o Provincial Carmelita diziam que não precisavam confiar nos índios, mas sim nos portugueses, especialmente neste tipo de negocio.

No final de uma grande polemica entre os padres da Companhia e estas duas ordens religiosas, o juiz decidiu declarar que os índios eram culpados e portanto escravos, mesmos os índios cristão que tinham saído das vilas para fugir das doenças ou dos incessante trabalho na qual eram submetidos fora da lei, foram declarados escravos. Aos quarenta índios Tupinambás que tinham sido o motivo da entrada, foram libertados pela tropa e considerados livres, sendo enviados para habitarem na Ilha do Sol, onde já viviam alguns destes índios.

A segunda entrada desta ano de 1668 foi conduzida pelo padre Pedro de Pedrosa acompanhado do irmão Antonio Ribeiro e um pequeno grupo de índios remadores com uns guias. O motivo de tal entrada era o convite que alguns índios principais dos Tacanhapes fizeram ao padre Pedro, na intenção de convencer o este índios a descerem para junto dos padres da Companhia de Jesus.

Depois de navegarem vinte dias pelo Rio Xingu, desceram em terra entrando na floresta por deis dias, sendo abandonados de seus guias, ficaram por cinco dias em repouso, passando fome, sede e medo, continuaram o caminho seguindo pequenos indícios de pegadas de seus guias e depois de um dia e meio encontraram finalmente a aldeias dos Tocanhapes.

Depois de serem calorosamente recebidos por este índios e feito as troca dos dons, padre Pedro de Pedrosa foi exortando a todos a se alegrarem com a noticia do verdadeiro Deus, na qual passando em outras seis aldeias, convidava a todos para deixarem a floresta para se tornarem futuros filhos de Deus e dos padre, junto dos portugueses. De fato escolheram dez índios fortes e nobres para que conhecessem as terras férteis e próximo do mar que tinham preparado para eles, retornando assim para a cidade de Belém do Pará.

Bettendorff relata da devoção a Nossa Senhora e da instalação que ele fez da Congregação de Nossa Senhora da Luz e do Terço, notando que, em Portugal e em suas conquistas, a devoção exterior é muito maior que em outros lugares; mas que passadas estas festas religiosas “é como se o demônio estivesse solto, vivendo o povo como não se fosse cristão, não havendo melhoria na vida cristã”.

Quanto à instituição da devoção das quarenta horas no Maranhão, é obra do padre Francisco Veloso, pois foi a sua insistência que levou à instituição desta devoção, pois para Bettendorff, as despesas que os missionários teriam com os índios em providenciar alimentação e transporte para todos que viessem a esta devoção, estavam além da possibilidade dos missionários.

Avaliação que Bettendorff faz das Missões e do Estado do Maranhão em 1672

Em 29 de agosto de 1672 Bettendorff escreve uma carta ao Padre Geral, Paulo Oliva, relatando a situação miserável em que se encontra o Estado do Maranhão depois da expulsão dos padres, que tinha acontecido em 1661. Destacando algumas considerações que, segundo ele, fizeram a situação chegar a tal nível:

1) a primeira é a peste, que abateu e dizimou grande parte da população, permitida por Deus, e causada pela loucura do povo que expulsou os padres do Estado. 2) A segunda é a ganância dos portugueses de possuir que era muito grande e insaciável, e isto unido a uma grande preguiça, e um grande preconceito sobre a dignidade de qualquer trabalho manual. 3) Em terceiro, há poucas pessoas que trabalham muito pesado, com uma grande mortalidade destes trabalhadores. 4) A quarta é a infiltração dos índios bárbaros, que tornou certas regiões improdutivas, provocando muito prejuízo ao Estado. Em especial duas tribos a dos Uruatis e Caìscaís.

A tentativa de pacificar os índios bárbaros Uruatis se deu no tempo do governador Pedro César de Menezes (1671-1678) através das negociações de paz que se realizaram no ano 1671, pois este índios tinham enviados a São Luís uma embaixada com a finalidade de chegar com os portugueses a uma tratado de paz.

Os índios Uruatis viviam no Rio Itapicuru, atacavam as populações desestabilizando toda a atividade produtiva desta região e depois de criarem tanta dificuldades e mortes para os portugueses, vinham com o desejo de se tornarem cristãos e serem acompanhados pelos padre da Companhia de Jesus.

Em 20 de agosto de 1649 estes índios tinham matado três jesuítas, o padre Francisco Pires, padre Manoel Muniz e um irmão coadjutor, sob a ordem do principal Botirou. O Governador pediu ao padre Bettendorff, juntamente com o seu sargento-mor, para que tratassem da paz e estes estabeleceram a base desta nas seguintes condições:


Primeiramente que todas as inimizades antigas ficassem sepultadas. Segundo que todas aquellas Nações se havião de passar das suas terras para as novas. Terceira, que serião asignalados padres da Companhia, que assistissem a coltura, e proteção delles. Guarta, que não podessem ser constrangidos a trabalhos, e fadigas dos escravos, exceptuando aquelles da guerra contra os inimigos. Guinta; que serião amigos dos amigos, e inimigos dos inimigos, e perpetuamente vassallos de El Rei de Portugal. Sexta, e ultimo; que fosse publicada esta pax perpetua, e que lhes serião dados os instrumentos necessarios para cultivar a terra, dando lhes em recompença alguns filhos de nobres mais quardados aos padres da Companhia para que os instruissem nas virtudes e cosas Christans.

Estabelecidas estas condições, e aprovadas por todos, se publicou e foram-se os ministros da guerra juntamente com o padre Pedro de Pedrosa para publicar a paz na fortaleza Itapecurense em 10 de Setembro de 1671. Esta paz durou pouco tempo.

Sobre o tema da paz e da relação com os índios, Bettendorff relata que ainda no tempo em que ele era superior (1668-1674), se fez uma Junta convocada pelo governador, com a presença de todos os prelados das ordens religiosas, o vigário geral Domingos Antunes Thomaz, e outros ministros. O caso era que o donatário da Capitania do Cabo Norte, Vital Maciel, tinha avisado por carta que pelo sertão de Urubuquara, havia uma nação que impedia uma outra aldeia no interior de chegar-se a igreja católica e em tal caso, a Provisão Real de 17 de outubro de 1653, permitia a guerra justa.

Se fez a proposta da guerra justa e logo todos foram de acordo, a começar pelo Vigário Geral Domingos Antunes Thomaz, o padre provincial do Carmo, o comissário de Nossa Senhora das Mercês, o padre comissário de Santo Antonio e o provedor Mor; porém Bettendorff se mostrou contrário à guerra, dizendo que era injusta, pois estes Tapuias, por suas inimizades, só impediam a saída dos outros índios, e fez a proposta que um missionário fosse aos índios para mudar suas atitudes. Mas esta sua proposta não foi acolhida. Com isto houve a guerra, queimaram-se as casas e cativaram os índios, com grande crueldade.

Diante da destruição destes índios Tapuias, que foram em grande parte queimados vivos, por não quererem ser escravos sem causa legítima, Bettendorff se achou, em consciência, livre diante de Deus, desta tragédia; mas também não condenou os que decidiram por tal guerra, pois segundo ele só o divino Senhor conhece a verdade das coisas e só a ele toca julgar as coisas com justo e reto juízo. E aí se coloca toda a sabedoria da Companhia de Jesus, que orienta ao padres a nunca se precipitarem em questões importantes como as guerras justas, como escreve Bettendorff:

“Para cautela dos missionários vindouros, que sendo chamados, conforme as ordens reais, para tratarem da justiça das guerras, não se apressem em dizer o que se lhes oferece de primeira vista, mas peçam tempo e lugar para consultarem as propostas, com Deus Nosso Senhor primeiro, e depois com os livros e seus consultores, dando então ao cabo o voto que poderiam ter, dando-o em a hora de sua morte, tudo conforme as regras de nosso Santo Patriarca; mas como as vezes não permitem as circunstancias dilação para ponderações vagarosas, e pedem resolução do caso mais apressada pelo tempo e lugar o pedirem assim, em tal caso melhor fora não se achar em semelhantes juntas, como eu fiz uma vez ausentando-me do que se fazia em a câmara do Pará, e fui aprovado por nosso muito reverente padre geral Paulo de Oliva, sem embargo de ter eu sido chamado para ela; e como os camaristas tomaram esta minha ação muito mal, fui eu dar-lhes satisfação em sua casas. Não aconselho a ninguém que se ausente com risco de inconveniente maior, mas vá para onde é chamado, tendo primeiro encomendado a Deus todo o negocio e pedido sua Divina Graça por meio da Virgem Santíssima, do nosso patriarca, e todos os santos do céu, para o bom acerto, lembrando-se também que em causas do cativeiro duvidosos, sempre prepondera a liberdade.”

Sem dúvida nenhuma, Bettendorff continua a linha adotada pela Companhia de Jesus com relação ao cativeiro dos índios, “em caso de cativeiro duvidoso, sempre prepondera a liberdade”. Desde o início da presença dos missionários da Companhia de Jesus no Estado do Maranhão, até o tempo do padre Antonio Vieira (1653-1661), passando por Bettendorff (1661-1698) a posição da Companhia de Jesus é a mesma neste tempo da história em relação ao cativeiro, é a genialidade desta companhia de amigos, que enfrentam todas as questões com uma humanidade diversa de outras congregações religiosas.

NOTAS

  1. Padre Antonio Viera fez diversos pedidos para crescer o número de missionários da Companhia de Jesus. Entre outras: Carta ao Rei do Afonso VI, em 20 de Abril de 1657 (Cartas de Vieira, I, 471).
    Também na Carta ao Padre André Fernandes de 1657 (Carta de Vieira, I, 472-473) Vieira fala de todas as pessoas a quem escreveu para que venham padres da Companhia de Jesus para o Maranhão (Carta de Vieira, I, 472-473).
    Na Carta do Padre Antonio Vieira ao Rei D. Afonso VI de 28 de Novembro 1659 (Carta de Vieira, I, 571), Vieira escreve: «Sirva-se V. M. , Senhor, de mandar vir para esta missão um numeroso socorro destes soldados de Cristo e de V. M.; e por cada um prometemos a V. M. muitos milhares de Vassalos». Carta do Padre Antonio Vieira ao Padre Provincial do Brasil de 1o dezembro de 1659 (Carta de Vieira, III, 727)
  2. Archivum Romanum Sicietatis Iesu, Gallo Bélgica, 45, 117r-117v – Pedido de Bettendorff ao padre Geral da Companhia, para ir a missão do Japão com Padre Martinio, Luxemburgo 13 de junho de 1654. Gallo Bélgica, 45, 119r – Novo pedido de Bettendorff ao padre Geral da Companhia para ir a missão da Índia, reforçando o pedido anterior, Luxemburgo 11 julho de 1654. Gallo Bélgica, 3,II 34r– Resposta do Geral da Companhia em 18 de julho de 1657 ao pedido de Bettendorff para andar em missão no Japâo. Gallo Bélgica, 45, 120r – Carta de agradecimento de Bettendorff ao Padre Geral, por lhe responder sobre o pedido de ir a missão, Luxemburgo 22 agosto 1654.
  3. Gall. Belg. 3,II. 357 - Novo pedido de Bettendorf para ir em missão em 1659.
  4. Gallo Bélgica, 45, 117r-117v – Pedido de Bettendorff ao padre Geral da Companhia, para ir a missão do Japão com Padre Martinio, Luxemburgo 13 de junho de 1654.
  5. P. PIERRARD, Les Diocèses de Cambrai et de Lille, 328. J.F. BETTENDORFF, Chronica da Missão, 147.
  6. J.F. Bettendorff, Chronica da Missão, 147-155.
    Este é um dos aspectos da época, pois não era fácil ir em missão nos territórios portugueses, devido a situação política. No tempo de D. João IV, o Geral da Companhia Vicente Carafa se lastimava de que se não permitissem embarcarem os Padres italianos (Arq. S. J., Epp. NN., f. 423v-424 - Carta de Roma de 26 de Junho de 1649).
    Segundo Francisco Rodrigues na sua Historia da Assinstência, se empregou um rigor maior no reinado de D. Afonso VI, quando se negou a licença de embarque a vários jesuítas estrangeiros no ano de 1664, sendo até promulgado um decreto real que vedava a qualquer estrangeiro a navegação para o Oriente (F. RODRIGUES, História da Assistência, I, II, 134-135).
  7. J.F. Bettendorff, Chronica da Missão, 147-155.
  8. J.F. BETTENDORFF, Chronica da Missão, 150-151. Bettendorff permaneceu em Lisboa por quase um ano, pela dificuldade de encontrar transporte para o Maranhão.
  9. J.F. BETTENDORFF, Chronica da Missão, 155. Segundo Bettendorff, Vieira dividiu assim os missionários: o padre Francisco Velloso tornou-se superior da Casa do Pará, tirando-o dos Tupinambás e pondo em seu lugar o padre Jácome de Carvalho. O padre Manuel Nunes tornou-se superior dos Ingaíbas, dando-o por companheiro o padre João Maria Gorsoni. Vieira mandou o padre Gaspar Misch com o padre Tomé Ribeiro para a residência de Nossa Senhora do Desterro, na aldeia de Tapará, acima do Gurupá.
  10. J.F. BETTENDORFF, Chronica da Missão, 158-164. Bettendorff assentaria as novas aldeias no Rio Amazonas depois da Aldeia do Tapará. Ficou acertado com o Padre Antonio Vieira, então visitador e superior da missão, que ele faria residência no Tapajós.
  11. A língua geral era o tupi, que era falado na costa do Brasil.
  12. J.F. BETTENDORFF, Compendio da Doutrina Christãa na Lingua Portugueza e Brasilica, Lisboa, 1687.
  13. Visita era o regulamento dos missionários da Companhia de Jesus nas aldeias indígenas do Maranhão e Grão-Pará, foi elaborada pelo Padre Antonio Vieira e aprovada pelo Padre Geral da Companhia, entre o ano de 1658 e 1661, segundo Serafim Leite. J.F. BETTENDORFF, Chronica da Missão, 168-174.
  14. Esta missão do Tapajós é a atual cidade de Santarém no Estado do Pará. Bettendorff é considerado um dos fundadores de Cidade, na qual se dedicou a este missionário um monumento. A missão ficava no encontro do Rio Tapajós com o Rio Amazonas.
  15. Segundo Bettendorff depois de darem muita bebida para as mulheres e tapando as vistas com as mãos o feiticeiro com voz rouca e grossa lhes convencia de que estavam falando com o diabo.
  16. J.F. BETTENDORFF, Chronica da Missão, 168-174. A intenção de Bettendorff era acabar com estes terreiros, pois para ele era um empecilho para o trabalho de evangelização.
  17. J.F. BETTENDORFF, Chronica da Missão, 155. Era normal os índios especialmente aqueles que mais se destacavam em uma tribo ter mais de uma mulher.
  18. J.F. BETTENDORFF, Chronica da Missão, 171-172.
  19. J.F. BETTENDORFF, Chronica da Missão, 159.
  20. Vieria na carta de 28 de novembro 1659, p. 550, divide a missão em quatro regiões: 1) do Ceará; 2) do Maranhão; 3) do Pará; 4) do Rio das Amazonas. Mas de fato o que prevaleceu na historia é a divisão utilizada por Bettendorff em suas cartas (cód CXV/2-13, 365-374v; Bras. 9, 284-291v), isto é, a divisão das missões feitas através dos dois colégios da missão, o de N. Senhora da Luz em São Luís e o as residências ligadas ao Colégio de Santo Alexandre no Pará.


BIBLIOGRAFÍA

BETTENDORFF, João Felippe. 1910. Chronica da Missão dos Padres da Companhia de Jesus no Estado do Maranhão. Revista do Instituto Historico e Geographico Brazileiro, Tomo LXXII

DE BERREDO B.P., Annaes historicos do Maranhão. COLEÇÃO TEMAS BRASILEIROS M _ Editora Universidade de Brasília

DE CAMPOS Agostinho (org). BARROS, JOÃO, Azia, Primeira Década, Antologia Portuguesa. Ed. Livrarias Aillaud e Bertrand. Paris-Lisboa, 1920

D’AZEVEDO, JoãoLucio, Os Jesuitas no Grão-Pará: suas missões e a colonização Livraria Editora Tavares Cardoso & Irmão. Lisboa, 1901

LEITE, Serafim. Historia da Companhia de Jesus no Brasil, Tomo IV. Ed. Brasiiana, 1950

LISBOA, J.F. Crônica do Brasil colonial: Apontamentos para a história do Maranhão. Petrópolis/Brasília, 1976

MARQUES C.A., Dicionário Histórico-Geográfico da Província do Maranhão. Cia. Editôra Fon Fon e Seleta, 1970 - Maranhão (Brazil)

MEIRELES, M.M. História do Maranhão. D.A.S.P. Servicio de Documentaçao. 1960

MORAES, Jose de. História da Companhia de Jesus na extinta província do Maranhão e Pará. Typ. Do Commercio, Rio de Janeiro

RODRIGUES F., História da Companhia de Jesus na assistência de Portugal, 7 vols. Oporto 1931-1950

PIERRARD P., Les Diocèses de Cambrai et de Lille Archives de sciences sociales des religions, n°47/2, 1979.

SILVEIRA, S.E. Relação sumaria das cousas do Maranhão. Ed. Siciliano, 2001


CASSIO ALBERTO PEREIRA DE CARVALHO